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terça-feira, 11 de março de 2008

"O trem venceu o declive norte da cadeia montanhosa e mergulhou num longo túnel. Na saída, desceu por um vale. Por entre as fendas dos picos, a cor da noite descia lentamente. A tênue luminosidade da tarde invernal parecia ter sido sugada pela terra, e o velho trem dava a impressão de ter abandonado no túnel seu teto brilhante."

"Havia além dele um único homeme, de aproximadamente cinquenta anos, e diante dele uma jovem de rosto avermelhado. Inclinada para a frenteescutava atenta cada palavra do homem e lhe respondia feliz. "Um casal clandestino empenhado em longa viagem", deduziu Shimamura.
Mas assim que o trem chegou à estação atrás da qual se viam as chaminés das fiações, o homem levantou-se apressadamente, apanhou a cesta de vime do porta-malas e através da janela lançou-a para a plataforma.
- Pode ser que a gente ainda se encontre algum dia- gritou para a moça enquanto descia apressado o trem.
Um súbito desejo de chorar invadiu Shimamura. O incidente o colhera desprevenido, devolvendo-o à consciência; lembrou-se de que tinha dito adeus à Komako e estava voltando para casa. Não lhe ocorrera que os dois tivessem simplesmente se encontrado no trem. Talvez o homem pudesse ser um caixeiro-viajante"

País das Neves,
Yasunari Kawabata

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