à noite a chuva foi forte. Muito vento, a chuva batendo na vidraça e a falta de luz. Enquanto Nicolás era salvo das goteiras com as manobras de retirada dos móveis, eu e Elora ficamos pensando no que seria do ninho que descobrimos recentemente na laranjeira aqui de casa. Uma pena, e me dei conta de que nunca tinha pensado nisso...também o modo como John Irving construiu um personagem como o Dr Larch, das Regras da Casa de Sidra me fizeram pensar em outrro tanto de coisas que (parece-me) nunca havia antes pensado.
...tsc, tsc...isso que dá sentar na frrente do computador prá escrever. Apesar de tudo, é polenta! Nic concorda comigo, já que hoje seremos só nós dois para o jantar...imagino minha vó, com os dez filhos, na hora de jantar. Histórias que minha mãe conta, a falta de compreensão, o trabalho, as alegrias efusivas. Eu lembro das férias, a colheita de uva, os parentes todos na mesa comprida...Agora que minha avó faleceu minha mãe diz que percebe que não deve mais desperdiçar nada da vida que tem. Fico imaginando o que seria desperdiçarmos a vida...e como medimos a qualidade da mesma. Talvez por isso os livros dele sejam tão interessantes (pelo menos prá mim), algo que parece estar escrito nas entrelinhas, dentro dos personagens, como a dizer que tudo passa, as histórias ficam.
Nicolás observa da janela Ravi latindo lá fora. Com um sorriso me estende a mão pedindo prá levá-lo prá fora...o ninho ainda está lá, apesar da ventania.