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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Amit Goswami é um dos principais físicos da atualidade. Tornou-se mundialmente conhecido ao participar e expor suas idéias no filme Quem Somos Nós. É conferencista, consultor, pesquisador e professor emérito do departamento de Física da Universidade de Oregon, EUA. Há cerca de 20 anos está envolvido em estudos que buscam conciliar ciência e espiritualidade.Autor de inúmeros artigos científicos, publicados em revistas de física, economia e psicologia, escreveu também várias obras abordando a relação física/espiritualidade.
"A mecânica quântica é a parte da física que tem revelado ao mundo científico as antigas verdades espirituais."É dentro do domínio da física quântica, estudando as partículas sub-atômicas, que a realidade não-material se revela aos olhos dos cientistas. Professor de física na Universidade do Oregon e doutor em residência no Instituto de Ciências Abstratas em Sausalito, CA, Goswami é um indiano radicado nos Estados Unidos que sustenta ser a consciência a criadora da realidade física. Ou seja, algo só existe no plano material porque foi criado, primeiramente, em outros planos. "Os corpos são criados a cada momento pelas escolhas que são feitas", afirma ele. "Literalmente, seu dedão do pé não está lá até que você pense nele".Pode parecer meio radical para os materialistas. Mas Goswami está absolutamente convencido. A ponto de afirmar que a cura das doenças, de qualquer doença, é possível no plano da consciência. É o que ele chama de cura quântica. Através desse mecanismo, um câncer pode ser curado pelo pensamento."Um câncer escondido no corpo não é ainda um fato concreto, material. Sendo assim, podemos cura-lo". A idéia tem estreita relação com o princípio, por exemplo, da homeopatia ou dos florais de Bach. Para essas disciplinas, a doença aparece muito antes de se manifestar no corpo físico. A doença, como a entendemos, começaria no plano emocional, psicológico, nos corpos mais sutis do homem. Sendo assim, nada nos impediria de curá-la antes mesmo que se manifeste fisicamente. É como se existisse um corpo, que Goswami chama de vital, que formaria o mapa do corpo físico. "Os chakras são os lugares onde as formas se criam. A física quântica está dizendo que podemos confiar na medicina dos chakras. É aí que a medicina oriental e a ocidental se encontram".Goswami defende que a mente pode alterar a matéria, porque partem de uma mesma essência.
Além disso tudo, ele afirma que a consciência do observador é a mesma do objeto observado - e ambas são a mesma consciência que é a origem de tudo. Lembram do filme The Matrix, quando o menino budista entortava a colher? "Não existe colher", ele diz. O que precisa ser entortado é a mente. É mais ou menos isso que afirma Goswami.O princípio da não-localidade é importante para entender as idéias expostas por Goswami. A consciência não-local é aquela que permeia tudo, não está contida em lugar algum. Através da consciência não-local é que se pode perceber a conexão entre todas as coisas do Universo. É como se, por trás da realidade material que observamos, existisse uma matriz, um molde de tudo que é criado. Esse molde permeia tudo que existe, e é através dele que tudo está conectado.
O pensamento de Goswami pode ser enquadrado na idéia do idealismo monístico, uma posição filosófica que já foi considerada pré-científica porque existia antes do advento do materialismo dualista - que representa o atual ponto de vista científico. O materialismo dualista assume que a matéria é a realidade primária, e que a mente é separada dela, porém dependente ao mesmo tempo.Nessa visão, a mente é algo secundário, um fenômeno que está presente apenas em cérebros. O idealismo monístico inverte essa posição.Por esse ponto de vista (que pode ser traçado a Platão, no ocidente, e ao hinduísmo e budismo no oriente), existe apenas uma mente - que é a realidade primária. Agora que vem o mais bacana...A matéria é uma expressão da mente, e não separada da mente: mente manifestada materialmente. A visão expressada pelo místico Edgar Cayce é um exemplo perfeito de idealismo monístico. A fórmula de Cayce, por exemplo (O Espírito é a Vida, a Mente é o Construtor, a Matéria é o Resultado), confere à consciência um papel muito criativo na manifestação do mundo material.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O "princípio de precaução" definido pela ONU em 1994 pode ser resumido em que não devemos esperar pela prova completa e irrefutável da existência de um perigo para levá-lo a sério. Caminhando ontem comNicolás, algo muito perturbador não saía da minha cabeça. Um questionamento de certo modo, indefinido. Para onde estamos indo afinal? (e não que eu já não soubesse qual o destino do nosso passeio). Se menos de 15% dos seres humanos consomem 80% dos recursos naturais e, ainda assim (!) eu sinto essa angústia indefinida em cada cruzamento que páro com o carrinho de bebê, então parece que há algo errado. Profundamente errado.
E se não fosse essa árvore que temos no jardim, com certeza seria mais difícil morar aqui, principalmente nesses dias quentes...mas nem tudo são agonias. Debaixo do pé de mimosa há
quartos de verão, onde se gosta de estar unido à noite morna, onde o luar apoiado nos postigos entreabertos lança até o pé do leito sua escada mágica, onde se dorme quase ao ar livre, como a ave balançada pela brisa na ponta de um ramo.
Nem de longe o cenário campesino do menino Proust se pareceria com o que temos aqui, mas a brisa que o livro traz dá certa leveza para as tardes quentes. Não tão quentes como as do oeste do Paraná, onde mora minha nona e para onde, talvez nesse mesmo momento, estejam chegando, de caravana, vários parentes para comemorar seu aniversário. Falando agora com Jonas, ele me diz que a nona pediu prá todos que pelo menos amanhã façam o favor de respeitar, não quer festa. No sábado e domingo tudo bem...e, numa pausa que eu dou
prima! Não quer vir prá cá também?
e pensar que lembro de você pequenininho, maninho...
Nona vai fazer 84 anos amanhã. Dez filhos, mais de vinte netos. Lembro do terror que era descer ao porão, as brincadeiras do copo e os furtos à lata de bolacha feita em casa(mas daquelas latas imensas), a colheita de uva e os intermináveis jogos de cartas. Crianças e adultos ao redor da mesa, todos falando ao mesmo tempo (ainda mais no final da noite, quando alguns já haviam bebido o bastante), e risadas, tantas risadas...do nono só lembro da rouquidão, o câncer tomando conta enquanto ele ia ficando magrinho...ele na varanda, fumando o palheiro e olhando a estrada, como se já estivesse em outro lugar. Gostava do cheiro de fumo dele, as maçãs do rosto salientes como que sustentando um sorriso pros netos que vinham, um depois do outro desejar buon principio del anno, envergonhados mas morrendo de vontade de ganhar as cobiçadas balas, que só se adquiriam se a tradição do dia primeiro de janeiro fosse cumprida.
O que fica da vida que vivemos? Como diz Hubert Reeves, será que temos o direito,do alto no nosso conforto cada vez maior, de ignorar os quatro quintos da população humana? (ele se referia à questão de distribuição de recursos no planeta). E por quanto tempo mais a ilusão desse modelo ainda vai perdurar? Não que eu tenha respostas prontas, mas acredito que é extremamente urgente comçar a ter um pensamento de base em relação a tudo isso. Como ele mesmo afirma, dentro dessa ilusão, há aquela que é herdada do cientificismo, que afirma que, de um jeito ou de outro, nós vamos encontrar uma solução para os problemas que surgirão. Pois é, mas quando espécies animais ou vegetais desparecem já é tarde demais. Resta-nos então, adivinha o quê, hm, hm???????
Adaptação!!! Bora!