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quinta-feira, 9 de abril de 2009

O "princípio de precaução" definido pela ONU em 1994 pode ser resumido em que não devemos esperar pela prova completa e irrefutável da existência de um perigo para levá-lo a sério. Caminhando ontem comNicolás, algo muito perturbador não saía da minha cabeça. Um questionamento de certo modo, indefinido. Para onde estamos indo afinal? (e não que eu já não soubesse qual o destino do nosso passeio). Se menos de 15% dos seres humanos consomem 80% dos recursos naturais e, ainda assim (!) eu sinto essa angústia indefinida em cada cruzamento que páro com o carrinho de bebê, então parece que há algo errado. Profundamente errado.
E se não fosse essa árvore que temos no jardim, com certeza seria mais difícil morar aqui, principalmente nesses dias quentes...mas nem tudo são agonias. Debaixo do pé de mimosa há
quartos de verão, onde se gosta de estar unido à noite morna, onde o luar apoiado nos postigos entreabertos lança até o pé do leito sua escada mágica, onde se dorme quase ao ar livre, como a ave balançada pela brisa na ponta de um ramo.
Nem de longe o cenário campesino do menino Proust se pareceria com o que temos aqui, mas a brisa que o livro traz dá certa leveza para as tardes quentes. Não tão quentes como as do oeste do Paraná, onde mora minha nona e para onde, talvez nesse mesmo momento, estejam chegando, de caravana, vários parentes para comemorar seu aniversário. Falando agora com Jonas, ele me diz que a nona pediu prá todos que pelo menos amanhã façam o favor de respeitar, não quer festa. No sábado e domingo tudo bem...e, numa pausa que eu dou
prima! Não quer vir prá cá também?
e pensar que lembro de você pequenininho, maninho...
Nona vai fazer 84 anos amanhã. Dez filhos, mais de vinte netos. Lembro do terror que era descer ao porão, as brincadeiras do copo e os furtos à lata de bolacha feita em casa(mas daquelas latas imensas), a colheita de uva e os intermináveis jogos de cartas. Crianças e adultos ao redor da mesa, todos falando ao mesmo tempo (ainda mais no final da noite, quando alguns já haviam bebido o bastante), e risadas, tantas risadas...do nono só lembro da rouquidão, o câncer tomando conta enquanto ele ia ficando magrinho...ele na varanda, fumando o palheiro e olhando a estrada, como se já estivesse em outro lugar. Gostava do cheiro de fumo dele, as maçãs do rosto salientes como que sustentando um sorriso pros netos que vinham, um depois do outro desejar buon principio del anno, envergonhados mas morrendo de vontade de ganhar as cobiçadas balas, que só se adquiriam se a tradição do dia primeiro de janeiro fosse cumprida.
O que fica da vida que vivemos? Como diz Hubert Reeves, será que temos o direito,do alto no nosso conforto cada vez maior, de ignorar os quatro quintos da população humana? (ele se referia à questão de distribuição de recursos no planeta). E por quanto tempo mais a ilusão desse modelo ainda vai perdurar? Não que eu tenha respostas prontas, mas acredito que é extremamente urgente comçar a ter um pensamento de base em relação a tudo isso. Como ele mesmo afirma, dentro dessa ilusão, há aquela que é herdada do cientificismo, que afirma que, de um jeito ou de outro, nós vamos encontrar uma solução para os problemas que surgirão. Pois é, mas quando espécies animais ou vegetais desparecem já é tarde demais. Resta-nos então, adivinha o quê, hm, hm???????
Adaptação!!! Bora!

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