Olha o menininho aí,
na baía de Antonina, bravo por não poder dar uma volta de barco
(essa história de me colocar sentado aqui dentro só pra tirar foto e ir embora não me convence! diria ele...)
gostando de Antonina, ruim é quando chove e nossos passeios a pé ficam comprometidos. No último fim de semana era festa da padroeira, n, Sra do Pilar. Comilanças, parque de diversões e maçãs do amor. A "escadinha" infantil enche a casa da Laura, e eu vou fazendo meus planos de voltar com minhas costuras, preciso aprender tanta coisa.. por outro lado, ainda me pergunto se certa "bagagem" vale a pena. Acho que sou uma leitora simples.
Talvez eu tenha um gosto simples (?)
Sábado de manhã, tempo nublado, mas nada que me fizesse ficar enfurnada em casa,
vamos, Nic, o ônibus!!!!
Atrasados, com uma sacola cheia de livros, alcançamos o ônibus que nos deixa ali, bem perto do bondinho de livros...que ideia! Lá dentro, com Luísa no sling e tentando ficar de olho em Nic, vou desviando de dois meninos que são por sua vez perseguidos por um pai de máquina fotográfica em punho. O bonde é estreito, a seleção de livros é boa (pelo menos para os grandes...me impressiona a falta de cuidado da maioria de livros infantis), e entre uma topada e outra, olho para a cara do pai fotógrafo e lá está o Alf, colega de curso ou pelo menos de pretendentes a curso...é, concordo...com essas crianças, esse modo de vida, e tantas outras coisas, quem pode se dar ao luxo de fazer quatro módulos de uma semana cada, em regime de imersão, ou tem dinheiro sobrando, ou tem essa vontade do tamanho de um bonde, digamos. Muitas coisas a serem discutidas, creio eu. Na teoria funciona, na prática também, mas algo no meio do caminho,
bem onde a gente mais se "aperta", deixa essa dúvida quanto à validade do método.
Bem, eu não desisto fácil. Também não tenho vergonha quando percebo uma burrada e tenho que voltar atrás...pra aprender é na prática, né? Então...fim de ano tá aí, quem sabe ano que vem Nic possa ter mais alguns colegas, quem sabe um jardim que não o daqui de casa...mas daí vamos ver se o bolso aguenta!
Quanto ao meu gosto não gosto,
fico pasma...esse Lobo Antunes, tão maravilhoso aclamado interessante...
é, talvez eu seja muito simplória de achar que ele não faz muito meu tipo. Então me aparece essa coletânea de reportagens da Eliane Brum, "A vida que ninguém vê", e fico de boca aberta em plena manhã gelada de domingo
- Esse é o caminho do pobre.
E disse com tal dor, com tal desesperança, que a frase açoitou o cemitério de pobreza. Porque uma frase só existe quando é a extensão em letras da alma de quem a diz. É a soma das palavras e da tragédia que contém (ou das alegrias!!!) Se não for assim, é só uma falsidade de vogais e de consoantes, um desperdício de som e de vogais.
Histórias de gente carne osso, ali do estado vizinho, reunidas no jornal Zero Hora...como a do Geppe Coppini, que nunca pediu nada. O que seria Geppe então? e que, depois da praga da cigana, mudou. Passou a alisar o tronco das árvores com as mãos por horas a fio. E, ao contrário da tropa de irmãos, decidiu que não trabalharia.. Louco, louco. Por quase todo esse século, Geppe peregrinou pelas hortas e pelos pomares vivendo de frutas, verduras e legumes.
(...) Quando passou dos 60 anos, um cidadão conseguiu uma aposentadoria para ele. Essa foi a primeira vez que algo realmente assombrou Geppe: o Governo. E desde então ele passou a repetir, em vêneto:
Il goerno lé stupido. Gó mai laorato in tutta la vita e ancora i me paga!
(O governo é um estúpido! Nunca trabalhei na vida e ainda assim me paga!)
Tempos depois, Geppe avistou um avião no céu. E logo compreendeu. Só podia ser o Governo. Isso enquanto ele ajudava a cortar lenha. Em seguida, passou o segundo. Geppe atirou o machado longe e saiu abatido. Antes, avisou:
- Se quiser cortar lenha, corta. Eu me vou porque se o Governo me descobre trabalhando me corta o soldo!
Pés gelados, Luísa prefere ficar mexendo nas pedrinhas e azulejos de mosaico em cima da cama. O irmão foi num almoço na casa do tio Ale...quem diria...
quem diria que ia ficar tão FRIO de novo????? olhe, eu juro, mas juro mesmo que ano que vem
me dou de presente um fogão a lenha!!!