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domingo, 21 de agosto de 2011





Olha o menininho aí,


na baía de Antonina, bravo por não poder dar uma volta de barco


(essa história de me colocar sentado aqui dentro só pra tirar foto e ir embora não me convence! diria ele...)


gostando de Antonina, ruim é quando chove e nossos passeios a pé ficam comprometidos. No último fim de semana era festa da padroeira, n, Sra do Pilar. Comilanças, parque de diversões e maçãs do amor. A "escadinha" infantil enche a casa da Laura, e eu vou fazendo meus planos de voltar com minhas costuras, preciso aprender tanta coisa.. por outro lado, ainda me pergunto se certa "bagagem" vale a pena. Acho que sou uma leitora simples.


Talvez eu tenha um gosto simples (?)


Sábado de manhã, tempo nublado, mas nada que me fizesse ficar enfurnada em casa,


vamos, Nic, o ônibus!!!!


Atrasados, com uma sacola cheia de livros, alcançamos o ônibus que nos deixa ali, bem perto do bondinho de livros...que ideia! Lá dentro, com Luísa no sling e tentando ficar de olho em Nic, vou desviando de dois meninos que são por sua vez perseguidos por um pai de máquina fotográfica em punho. O bonde é estreito, a seleção de livros é boa (pelo menos para os grandes...me impressiona a falta de cuidado da maioria de livros infantis), e entre uma topada e outra, olho para a cara do pai fotógrafo e lá está o Alf, colega de curso ou pelo menos de pretendentes a curso...é, concordo...com essas crianças, esse modo de vida, e tantas outras coisas, quem pode se dar ao luxo de fazer quatro módulos de uma semana cada, em regime de imersão, ou tem dinheiro sobrando, ou tem essa vontade do tamanho de um bonde, digamos. Muitas coisas a serem discutidas, creio eu. Na teoria funciona, na prática também, mas algo no meio do caminho,


bem onde a gente mais se "aperta", deixa essa dúvida quanto à validade do método.


Bem, eu não desisto fácil. Também não tenho vergonha quando percebo uma burrada e tenho que voltar atrás...pra aprender é na prática, né? Então...fim de ano tá aí, quem sabe ano que vem Nic possa ter mais alguns colegas, quem sabe um jardim que não o daqui de casa...mas daí vamos ver se o bolso aguenta!


Quanto ao meu gosto não gosto,


fico pasma...esse Lobo Antunes, tão maravilhoso aclamado interessante...


é, talvez eu seja muito simplória de achar que ele não faz muito meu tipo. Então me aparece essa coletânea de reportagens da Eliane Brum, "A vida que ninguém vê", e fico de boca aberta em plena manhã gelada de domingo


- Esse é o caminho do pobre.


E disse com tal dor, com tal desesperança, que a frase açoitou o cemitério de pobreza. Porque uma frase só existe quando é a extensão em letras da alma de quem a diz. É a soma das palavras e da tragédia que contém (ou das alegrias!!!) Se não for assim, é só uma falsidade de vogais e de consoantes, um desperdício de som e de vogais.


Histórias de gente carne osso, ali do estado vizinho, reunidas no jornal Zero Hora...como a do Geppe Coppini, que nunca pediu nada. O que seria Geppe então? e que, depois da praga da cigana, mudou. Passou a alisar o tronco das árvores com as mãos por horas a fio. E, ao contrário da tropa de irmãos, decidiu que não trabalharia.. Louco, louco. Por quase todo esse século, Geppe peregrinou pelas hortas e pelos pomares vivendo de frutas, verduras e legumes.


(...) Quando passou dos 60 anos, um cidadão conseguiu uma aposentadoria para ele. Essa foi a primeira vez que algo realmente assombrou Geppe: o Governo. E desde então ele passou a repetir, em vêneto:


Il goerno lé stupido. Gó mai laorato in tutta la vita e ancora i me paga!


(O governo é um estúpido! Nunca trabalhei na vida e ainda assim me paga!)


Tempos depois, Geppe avistou um avião no céu. E logo compreendeu. Só podia ser o Governo. Isso enquanto ele ajudava a cortar lenha. Em seguida, passou o segundo. Geppe atirou o machado longe e saiu abatido. Antes, avisou:


- Se quiser cortar lenha, corta. Eu me vou porque se o Governo me descobre trabalhando me corta o soldo!


Pés gelados, Luísa prefere ficar mexendo nas pedrinhas e azulejos de mosaico em cima da cama. O irmão foi num almoço na casa do tio Ale...quem diria...


quem diria que ia ficar tão FRIO de novo????? olhe, eu juro, mas juro mesmo que ano que vem


me dou de presente um fogão a lenha!!!


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Os ossos abrem cminho até a superfície da terra a cada estação de chuvas.
Eu queria me alimentar de alegria como os deuses radiantes.

Mãe, Nic num tem capacete!
Pois é, amor...mas eu coloco o cinto em você, tá bom?
Ísa num tem capacete.
é, ela não tem, nem a mamãe...quem sabe mês que vem a gente compra.
7:30 am, no ponto de ônibus em frente a APAV, Douglas com cara de sono
e aquele sorriso-alegria nos cumprimenta o novo dia e, claro, como é de praxe,
meus dois indiozinhos fazem cara feia para o tio que atrasa nosso passeio.
Ora, ora...não fosse a multa eu comprava, uns quatro de uma vez,
Paradas providenciais, que eu não sou de ferro,
e lá chegamos na escola de inglês,
(desistências, planos alterados, adiados, quem sabe?
Elora insiste, mesmo sem as aulas de inglês
mãe, afinal, nós vamos para a Austrália?
ok, that's a good question...and as i said: it's not if but when, babe....who knows!)
mas, como dizia meu quase mentor Venturelli, "voltemos à vaca fria"...
pedaladas, sol, vento no rosto e por sorte, nenhuma buzinada no ouvido.
Maravilha, a coisa funciona, mesmo sem os ditos cujos. E lá seguimos, um pouco de mercado, outro de ChinaHouse e suas mil e uma utilidades, o extrato do banco, a multa quitada, um oi aqui e outro ali....ah, isso sim demora,
mas olha só....você mandou fazer?
acho que vou ter que virar garota-propaganda mesmo, visto que muito pouca gente anda pedalando pelas ruas de Curitiba com os dois filhos pequenos num reboque,
que eu carinhosamente prefiro chamar de trailer, oras!
Pois é, minha gente...tem uns doidos por aí que vão cantando essas músicas do Cat Stevens,
Cats in the cradle, dust in the wind (o pior é ficar lembrando daquela vozinha miúuuuuda que regravou...), where true love goes...e bora...vão seguindo do jeito que dá, com ou sem ciclovia...
o porquê da fase Cat Stevens é que eu ainda não entendi...de repente algo a ver com olhar pra trás, os olhos do meu pai, o sorriso d minha mãe e todas aquelas músicas que um dia chegaram até mim quando eu ainda era tão...meudeus...tão o que????
Espio rapidinho os dois por cima do meu ombro. Lembro de outras coisas que ainda tenho que comprar fazer terminar e começar e parece que o dia é curto demais. Muitas coisas em pouco tempo, já que hoje Pedro e Ana vêm depois do almoço e lá vamos nós, ao ritmo de This is the Life
dessa voz linda que é Amy Macdonald...então sombras de alguém um dia chegando em casa de manhã, pegando o expresso com um casaco anos 70 e aquelas botas coturno, os olhos meio borrados e a cara alegre de virar a noite. Achando que podia estar inventando um novo "estilo", descobrindo coisas que tlvez ninguém soubesse, pensando que a vida podia ser assim, tão diferente de tudo. Nessa época eu ainda não sabia que as coisas eram reinventadas a todo momento...so...here we are, re-creating all again...includes myself, B.
No meio de tantas divagações, acordes ecoando enquanto tento pegar o fio de novo...ah, sim, comecei com a história dos ossos...essa frase é uma daquelas que um desses malucos começa um desses livros que a gente pega assim meio no ar. Interessante, claro, sempre é divertido quando o cara, ou melhor, ela, costura o texto com canções, cheiros, o clima...mas esse amor anda na corda bamba. Não sei, posso estar enganada, mas quando eu me lembro demais de quem escreve a história por trás da história em si fico um pouco chateada.
As pessoas guardam segredos o tempo todo. Escondem amantes. Mulheres escondem bebês. Os pais escondem de seus filhos suas fraquezas. Os filhos escondem quem são de seus pais. A quem aviltmos com nossos segredos?
Por que ansiamos pela rendição no amor? Amor que não pode durar. O mundo está fora do jardim.
Noooooosssa, Tracy e Clapton e eu me pergunto por onde andei...
"Os Desaparecidos" tenta construir uma história de amor tendo esse pano de fundo vermelho que foi o Ano Zero, aquela atrocidade toda no Camboja que me faz pular parágrafos porque, ah, vamos combinar....é difícil, sim. Mas a vida chama a vida. Como Whitman, quando canta aqueles poemas e cada vez que fico deprimida e leio Leaves of Grass, ou song of Myself, é como se caísse num corredor onde tantas experiências humanas foram acumuladas e justamente por isso é possível voltar à superfície renovada.
...a child said what is the grass
fetching it to me with full hands...
e aquele cara de chapéu e macacão de operário se torna para mim profeta do indizível,
amante de um Deus encarnado na vida,
em TODA a vida.
a morte, como um parto, não é algo lá,
mas algo que vai acontecendo na gente desde o começo...(ih, já vai falar que fiquei mórbida só porcausa dessa guerra toda). Acho que a guerra sempre existiu, ela está aqui. E nem por isso a gente se entrega, não é verdade?
Nos opostos, ou melhor, nesse espaço entre ambos, criamos tantas maravilhas possíveis,
e vamos seguindo,
amando, criando, sorrindo....gente, como é louco viver!!!!!
Mas você sabe como eu prefiro deixar aqui só o lado, digamos, mais fácil...porque
viver às vezes é...dificil.
Bora nóis...no final das contas, o importante é usar o tal capacete, e depois deixa a vida te levar...Jahmaica leve voa,
com ela vou longe, e sozinha longe demais até,
por isso esses pequenos, e gato cachorro quintal...
eu devia era aprender mais comigo mesma, uai.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Memorial de formação pessoal de leitor

Acredito que algumas pessoas já nascem ávidas pela leitura, enquanto outras despertam para esse hábito mais tarde, seja por imposição externa, seja por necessidade, ou até mesmo por simples curiosidade. Penso que o ambiente conta muito neste processo e até mesmo nos auxilia, a nós, ávidos leitores e posteriores “escritores” (háháhá...), a criar um certo mito pessoal- como diria Jung- onde contamos e recontamos nossa história individual a quem interessar possa. Pois bem, cá estou a cavocar minhas rememórias, percepções fugidias, impressões que me deliciam e me apavoram, já que me fazem lembrar o quanto o dito “hábito da leitura” é um prazer, grosso modo, solitário. Pelo menos na aparência, já que o universo em que podemos estar inseridos nunca é algo que nos torna, digamos, individualistas. Nunca.
Verão, férias. Nesse dia ela resolveu levar a filha junto para o trabalho.
Depois das andanças pelo mundo, foto em todos os continentes, domícilio naquele país de calor infernal, mas mesmo morando num trailer, enfim...
Vai carregando duas malas, cheias do doce mais doce que muitos poucos hão de negar.
E a filha vai junto.
O corpo tão magro sustenta o peso do trabalho diário. Há suas compensações, até porque naquele tempo era possível vender tantas coisas em lugares que atualmente,
Mas hoje a filha, e a promessa do fim do dia, ou só quem sabe eu termino bem rápido daí a gente até pode ir embora mais cedo, que tal?
Nada que um x-salada com guaraná não resolvam no fim do dia, mas enquanto isso...
Duas malas cheias, imensas, recheadas com todos os tipos de bombons caseiros mais simpáticos do mundo, eu olhava a cara dela e ficava impressionada em como ela podia ser tão divertida e legal com todo mundo.
Mas nunca reparei no seu corpo tão magro.
E como fazer com a filha? Nas cidadezinhas que visitava, lembro umas quantas vezes do combinado, e lá me via só, cercada de uma infinidade de livros e uma ou outra cara simpática que havia prometido a ela ficar de olho em mim. Então o tempo, esse senhor risonho que se diverte às nossas custas, parece que se sentava numa poltrona e ficava lá, olhando, enquanto eu caminhava lentamente em direção àqueles tantos mundos imaginários.
Nenhum deles desabitado, por certo.
Rememórias, sonhos que se mesclam com nosso próprio desejo, mundos temporários, diálogos sem fim, todos ecoando...
Até a hora do sanduíche, da risada e das histórias,
Depois a biblioteca em casa, no sítio, tão minúscula e abarrotada, onde a delícia era o descobrir, simplesmente. E haverá uma delícia que não essa a quem gosta de ler? Descobrir, redescobrindo, para então construir, e reconstruir uma vez mais...
A linguagem sempre me fascinou. A beleza da sonoridade de certos poemas, até mesmo de certas palavras ditas em outra língua muitas vezes me maravilhou, a despeito de certa incompreensão de alguns. Acredito que muita dessa “incompreensão” seja advinda do fato de que em nosso país carecemos de cultura. Não no sentido objetivo, até porque vivemos em um país riquíssimo em termos culturais (climáticos também!) mas algo ligado ao tempo, àquele momento em que podemos simplesmente embarcar, deixar de lado nosso pequenograndeEu e simplesmente seguir uma corrente...navegar por um breve lapso de tempo e em seguida retornar, para então compartilhar. O acréscimo sempre me pareceu óbvio, até porque há tantos estilos e variantes no mundo literário que, por mais difícil que pareça, sempre haverá algo lá, feito especialmente para você. Essa a sensação ao encontrar aquele livro, aquilo. Ali, esperando por mim, e como diz um dos personagens de Sérgio Caparelli
...e dentro, tem um papel escrito, uma carta. São palavras dormindo esperando alguém ler. Com os olhos, qualquer um pode acordar as palavras.
Então o curso da vida, seus acertos e enganos. E depois de tanto tempo, o desejo tomando forma, finalmente uma graduação (não que isso lá grande!)
Mas o método ainda é pouco, ou a instituição não seja lá, enfim...vislumbres do que pode ser, tempos de discussão e de tarefas (menos, muito menos do que imaginei...e, afinal, pra que tanto papel?)
Folhas soltas ao vento, breves parágrafos do todo, alguns capítulos interessantíssimos e dignos de teses de mestrado, mas algo pulsante ainda espera- o que? O tempo, risonho, não espera. Ao contrário, envia mais e mais e mais e mais.
E a vida passa.
E o filho cresce.
E outro nasce.
Fazer da vida sua própria obra é fazer o que a personagem de Toni Morrison, Baby Suggs, sagrada, faz naquela clareira,
Depois de se situar em uma imensa pedra chata, Baby Suggs baixava a cabeça e rezava em silêncio. A congregação observava das árvores. Sabiam que ela estava pronta quando baixava seu bastão. Então ela gritava: “Que venham as crianças!”, e eles corriam das árvores para Baby Suggs.
“Que suas mães escutem o seu riso”, ela dizia, e o bosque vibrava. Os adultos olhavam e não podiam deixar de sorrir.
Então “que venham os homens adultos!”, ela gritava. Eles avançavam um a um do meio das árvores ressonantes.
“Que suas esposas e seus filhos vejam vocês dançarem”, ela dizia a eles, e o chão tremia vivo sob seus pés.
Por fim, ela chamava a si as mulheres. “Chorem”, dizia a elas. “Pelos vivos e pelos mortos. Só chorem”. E, sem cobrir os olhos, as mulheres se soltavam.
(...) No silêncio que se seguia, Baby Suggs oferecia a eles o seu grande imenso coração.
Não lhes dizia para limpar suas vidas ou ir e não pecar mais. Não lhes dizia que era abençoados na terra, seus mansos herdeiros ou seus puros à glória destinados.
Dizia-lhes que a única graça que podiam ter era a graça que conseguissem imaginar. Que, se não vissem isso, não a teriam.
“Amada” foi o último romance que li. Um desses livros que a gente tem vontade de, em certos trechos, jogar na parede (como John Irving, aliás...). E por quê?
Por quê?
A resposta a tal pergunta talvez seja o próprio pulsar da vida,
Aquilo que nos faz seguir adiante mesmo depois de tanta dificuldade,
De tanta dor.
Porque, ainda segundo o velho Jung, temos esse imenso mar inconsciente que nos liga, a todos, sejamos jovens ou velhos ou brancos ou pretos ou homem ou mulher ou eu ou você.
Então, sim, a trama de um texto, significa para mim, como leitora, algo tão primordial e básico quanto o ar que respiro. Ou o alimento que me sustenta dentro de um mundo onde por vezes sou a criatura e em outras tantas a Criadora.