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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010




À medida que nossa identificação com o Todo aumenta, aumenta também nossa consciência e responsabilidade para com esse Todo. Saber que uma baleia é morta nas costas da Paraíba, ou que uma árvore centenária vira lenha lá no Amazonas entristece-nos, onde quer que estejamos, porque sabemos que cedo ou tarde sofreremos os efeitos dessa violência.

Acho até que, no atual estado das coisas, estamos indo além. Não é raro encontrar pessoas com intenções maravilhosas, que realmente sentem que poderiam estar fazendo mais pelos outros ou pelo planeta mesmo, mas que acabam se perdendo no turbilhão da "vida comum". Muitas iniciativas surgem o tempo todo, algumas acabam tendo vida longa, outras nem tanto. O que me parece é que a atuação em nível grupal é realmente "maior que a soma das partes isoladas", ou seja, algo muito positivo surge quando deixamos de lado nosso mundinho e dedicamos ao menos um tempo, um tempinho só, para o outro.

A alimentação natural, a massagem e tudo que leva à saúde tem um só objetivo: fazer chegar o momento em que nada, no corpo, desvie nossa atenção do alvo revelado, isto é, chegar à união, à religião com a fonte inesgotável, não a um Deus intelectualizado, discutível e sim a um Deus "sentível" em qualquer estágio da vida. Nem mesmo a morte nos leva de volta à Ele(...)O encontro com Ele depende de um esforçozinho nosso-não muito, apenas o suficiente para uma "amostra grátis". Depois disso nos esforçamos cada vez mais e mais até alcançá-lo pelo merecimento

A primeira vez que li Manual de Agricultura Natural, o que me encantou mesmo foi o modo como Hiroshi se colocou nas páginas do livro. Histórias pessoais, modos de ver e viver a vida, dicas e receitas, os mitos da fome mundial (era a primeira vez que eu ouvia dizer algo como um terço da produção mundial de cereais destina-se à alimentação de gado) e, é claro, ótimas indicações para quem quer começar a plantar, ou fazer, mas dee um jeito diferente....Diferentemente daquilo que o título sugere, o livrinho é muito mais um compartilhar de um caminhante, do que um simples manual, se vocês entendem o que quero dizer...

Foi relendo o livro e estando quieta uma hora dessas que percebi...ou melhor, meio que tive a "resposta" de algo que estava me encucando. Agora é difícil colocar em palavras, mas o insight me dizia algo como uma imagem. Por exemplo, na nossa horta. É preciso trabalhar, carpir, adubar, semear, molhar, cuidar...enfim. Com os tais pensamentos que não queremos cultivar, o melhor é arrancar, mesmo. MAS...existe algo, que a gente não sabe, que a gente não plantou, mas que de repente nasce e é bom! Não veio do nada, de algum modo a gente "deixou" que acontecesse ali. A graça desce quando o solo é fértil.

As beringelas estão aí para provar...

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