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terça-feira, 3 de abril de 2012

Havia um relógio, bem alto, no sol, e pensei que quando a gente não quer fazer uma coisa o corpo tenta levar a gente a fazer a coisa sem se dar conta. Senti os músculos da nuca, depois ouvi o tique-taque do relógio no bolso, e depois de algum tempo me desliguei de todos os outros sons, só restava o relógio no bolso.
Tem coisas que não têm muita explicação mesmo,
e querem porque querem ser acontecidas, ou algo assim. A pressa talvez não seja uma boa coisa,
mas se a consciência estiver presente momento a momento talvez algo bom possa surgir daí. Hm, complexo. Ou não.
Olhei para trás, para a vitrine. Havia uns doze relógios na vitrine, marcando doze horas diferentes, cada um deles com a mesma convicção determinada e contraditória que o meu manifestava, mesmo sem ponteiros. Um contradizendo o outro. Eu ouvia o meu, a tiquetaquear no meu bolso, muito embora ninguém o visse, muito embora mesmo se o vissem ele não pudesse dizer nada a ninguém.
E as escolhas ficam a cargo do que, afinal?
Mais um relatório que chega, preciso pausar o que estava delineando aqui, passar para outro tipo de leitura, de revisão...
Pois bem, diferentes tipos de leitura...O Som e a Fúria, do Faulkner, era algo que eu tinha que ler, um desses livros que já comecei a ler uma três vezes e não foi pra frente. Como a Montanha Mágica também. Entre o trabalho de revisão online, cuidar da casa, das necessidades várias, entre músicas e comidas e conversas com minha mãe sobre o que significa o tédio a rotina o trabalho ganhar dinheiro cuidar dos filhos e ser feliz!!! Entre tudo isso...bem, ainda sobra espaço para um certo tipo de tempo fora do tempo, algo como estar com um livro e com tantos ao mesmo tempo. Algo necessário. Pelo menos para mim.
Tinha até esquecido como era. Tempo de ler um livro, tempo de ser olhada nos olhos de um jeito
que me faz lembrar algo distante. E isso é bonito demais para não estar aqui, pelo menos é justamente aquilo que deve ter feito com que um ou outro tivesse tido a vontade de levar o livro para ler em casa:
Era o relógio do meu avô, e quando o ganhei de meu pai ele disse Estou lhe dando o mausoléu de toda esperança e todo desejo; é extremamente provável que você o use para lograr o reducto absurdum de toda experiência humana, que será tão pouco adaptado às suas necessidades individuais quanto foi às dele e às do pai dele. Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo seu fôlego tentando conquistá-lo Porque jamais se ganha batalha alguma, ele disse. Nenhuma batalha sequer é lutada. O campo revela ao homem apenas sua própria loucura e desespero, e a vitória é uma ilusão de filósofos e néscios.
Livros para serem lidos?

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