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segunda-feira, 7 de abril de 2008

Dá trabalho criar filho. Demanda tempo e paciência, um bom-humor nas situações mais esdrúxulas possíveis...delegar plenos poderes às babás eletrônicas e terceirizadas só ajuda a tornar o caos aparente. O não com qualidade de não, aquele que vem de regiões remexidas e vasculhadas pelos psicólogos, paz interna em tempos críticos, tipo título de livro...onde eu acho? Essas coisas que me colocam prá pensar ao olhar o bichinho ali, crescendo.
Uma família está sentada ao meu lado. por incrível coincidência, na outra mesa também há uma família (é domingo). Uma menininha de olhos arregalados ouve da sua mãe
Olha, filha, ali dentro tem um bebezinho!
Olha prá mim com um ar desconfiado, talvez sua mãe esteja vendo coisas....e, como a mãe, a menina fala pelos cotovelos, parece que já conhece todo mundo na confeitaria, se recusa apenas a ir com a atendente buscar o pão-de-queijo que pediu
Ela acordou muito cedo, né filha? Dá bom dia prá Páti!
Voltei a tomar café, uma pena. Adorava a sensação de sentir meu corpo recusando-se terminantemente a engolir coisas que não tolerava, uma espécie de inteligência corporal livre dos meus hábitos, um outro-eu que podia decidir com segurança o que era melhor prá nós. (bem, eu sou você e eu juntos, mas até que ponto você interfere no eu que eu era antes? coisas estranhas, mistérios insondáveis, maravilhas possíveis nesse corpo...)
Quer ir no jogo do coxa hoje com o pai, amor?
O pior é que aqui eles servem café em pequenas garrafas térmicas, ou seja, o cafezinho vira cafézão, mas hoje é domingo, e portanto, um dia cheio...(deveria ser descanso, não?)
Qué i no jogo com a mãe!
Ela ainda tem aquele cabelo curtinho, encaracolado. Isso espanta, a tal precocidade dessas crianças, que cada dia caminham mais cedo, falam mais cedo, interagem com máquinas e vão a jogos de futebol...onde é que foi parar aquele nenê tão quietinho? Ana se mostra impaciente, implora para os pais terminarem logo (alguém já viu essa cena?) porque quer ver o francês. Insiste tanto que a "tia Páti", condescendente, vai até a entrada da confeitaria buscar o dito cujo. Para alegria de Ana Lucia e alívio dos pais, que podem pelo menos terminar o café, a atendente traz o boneco de um metro de altura, um típico cozinheiro francês, gorduchinho e de avental...
Viva!!! O francês!!!
Que divertido, tem coisas que não mudam. Preciso parar de divagar e voltar a corrigir as provas...quem sabe dá tempo de passar no festival japonês, uma vontade de comer anmoti...

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